Da Indira Ghandi ás secas nos aviões

Porque é que apanhamos uma violenta seca de espera quando um passageiro faz check-in e não comparece ao embarque?

Porque tinha bagagem de porão, que tem de ser retirada antes de o avião partir.Será que o pax não se perdeu nas compras ou perdido de bêbedo no bar? 99% das vezes, é assim de facto.

Normalmente seria preciso um sistema de Reconciliação de Bagagem (BRS, que regista em que contentor foram colocadas as malas de cada pax) para se acelerar o processo de retirada. Nem todos os aeroportos os têm, nem todos os operadores de handling, nem todos os aviões têm contentores. OS Boieng 737 e 757,por exemplo, é tudo ao molhe lá pra dentro até encher. Um Airbus A320 leva 3 contentores, mas pode ter ido uma mala para um e outra para outro. E mesmo assim se for o 3o contentor é preciso tirar os 3 e procurar dentro do correcto, não sabendo qual é o formato ou cor da mala (pode ser um caixote, bobby etc)

Isto não provoca atrasos nos aviões? Claro! Meia hora é normal. E fazem-no nos aeroportos de maior movimento onde se pode perder o slot de descolagem? É precisamente nesses onde se é mais zeloso com a segurança.

Como é possível que as indústria perca tempo com isto?

Simples....basta ler os próximos parágrafos.

Tudo começa com a Indira Gandhi (nada a ver com o Mahatma, apenas o partilhar de nome), e o ultrajante ataque aos militantes Sikhs dentro do seu Templo Sagrado de Amritsar em Junho de 1984. Tudo depois de grandes divergências entre o Punjab e o governo indiano (hindu) que tentava limitar a autonomia do mais próspero estado do país.

Os sikhs são da provinca do Punjab, na India. Não são Hindus, têm a sua própria religião e podem ser facilmente identificados pelo turbante e barba comprida. Da India, são os emigrantes mais bem sucedidos noutros paises devido á sua atribuida coragem e força de vontade no trabalho. Costumam usar um punhal típico, sendo-lhes permitido o seu porte a bordo nos voos domésticos.

Meses depois do ataque no templo, a 31 de Outubro, dois guarda-costas Sikhs, assassinavam Indira á saida do seu gabinete.

Fazemos avançar os acontecimentos para um ano depois, a 22 de Junho de 1985, em Vancouver. Nessa altura o primeiro ministro Indiano era Rajiv Gandhi, seu filho, que lhe sucedeu. Viria também a ser assassinado anos mais tarde, em 1994 por uma separatista Tamil do Sri Lanka. Na foto, ao centro, minutos antes de accionar o engenho explosivo que a matou e a Rajiv.

Subiu ao poder após a sua morte e intensificou a fúria dos Sikhs pela perseguição que moveu nos inquéritos posteriores. Vários complots para o seu assassínio foram travados pelas autoridades inglesas.

A CP Air (Canadian Pacific, hoje em dia absorvida na Air Canada) tinha dois voos marcados que tomados em conjunto fariam circumnavegação do mundo. Ambos finalizavam em Nova Dehli, um por Oeste e outro por Este. O Ocidental fazia escala no aeroporto do NArita em Tokyo, com a Air India a fazer a sengunda perna até Delhi. O voo Oriental era análogo, com escala em Toronto Lester B. Pearson antes da sua ultima paragem em solo do continente americano. Essa paragem seria no aeroporto de Montreal Mirabel (YMX), hoje em dia fechado. Foi um aeroporto construido para complementar o Pierre Trudeau, estando actualmente desactivado.

OS voos da CP Air decorrem em normalidade. O voo da Air India 182 descola de Mirabel, após passagem por Toronto, com 329 pessoas a bordo, 60 delas com menos de 10 anos. Apenas 100 indianos viajavam nesse voo, o resto na sua maioria oriundos da America do Norte. A 31000 pés, desparece do radar de um controlador irlandês já não muito longe da sua próxima escala em Heathrow. Uma hora e meia depois teria aterrado em solo Londrino. Eram 0h715m UTC do dia 23 de Junho de 1985.

A 6000 pés de profundidade no oceano atlântico jaziam os restos, espalhados numa área de 15 km de raio. A uma distância de 170km de Cork, na costa Ocidental irlandesa. Todos bordo morreram, alguns por afogamento ao chegarem ao oceano ainda vivos, mas inconscientes. Alguns tiveram queda em espiral tão violenta que lhes arrancou a roupa, e partiu a coluna e os membros em vários sítios.

Em Tóquio, dois operadores de rampa ao abrir um contentor com as malas do voo que tinha levado 10h de Vancouver até ali, no 747 da CPAir chamado Empress Of Australia, morrem ao explodir uma das malas. Outros 4 ficaram feridos.O avião tinha acabado de chegar, e tinha feito menos tempo queo normal em função de ventos favoráveis. E se se tivesse atrasado? Perto dele estava o 747 da Air India que faria a 2a perna. Nem sonhavam que o estrondo que ouviram poderia ter sido mais perto...

No voo que explodiu sobre o mar, o Cmdt Narendra estava no seu ultimo ano antes da reforma. O Operador de Sistemas, de 59 anos, tinha adormecido no hotel e teria perdido o voo se não o tivessem ido atrás buscar. Ambos, tal como os restantes 22 membros da tripulação, terminaram a sua carreira com uma descolagem sem aterragem. As últinas frases foram a pedir etiquetas de alfândega para qunando chegassem a Londres.

O caixão voador chamava-se "Emperor Kanishka" e era um B747-237 de registo VT-EFO, número de série 21473/330 de média idade. Tinha sido construido em 1978 e tinha voado 23634 horas em 7525 ciclos. Tinha 4 Pratt & Whitney JT9D-7J OPERACIONAIS.


Se calhar alguem a ler isto saltou a parte anterior sobre a aeronave, por achar demasiado técnica ou irrelevante para a história.
Mas não é. Aliás é fulcral.

Reparar no "operacionais", referido com ênfase. Os avião possui 4 unidades motrizes, podendo até voar normalmente com 3 delas operacionais sem ter de divergir para nenhum aeroporto. Mas está previsto poder levar 5º motor para transporte do mesmo. Esse é montado na asa, do lado exterior como se fosse mais um motor. Não é ligado, apenas tem um ponto de encaixe que garante que não cai.

Do malogrado 747 no momento do acidente, revela o FDR (Flight Data Recorder ou "caixa negra"), que tinha o leme do avião desviado de 11 graus, a voar em linha recta. Seria por causa de ventos? Não, é porque carregava um quinto motor para ser consertado na India, e compesanva o maior arrasto gerado no lado da asa com três motores, a bombordos. Foi montado por engenheiros da Air Canada, com algumas falhas.

Isto terá colaborado no desastre?
O avião poderia ter-se salvo se não fosse esse "fardo" na asa.

Não...ou melhor SIM!!!!!

A manobra de instalação do motor é complexa e não muito frequente, dai ter levado 5h aos mecânicos. Isso originou um atraso de 2 horas á partida. Limita também a velocidade do avião. Ora de certeza que já se pensa logo na conta..se faltava uma hora e meia para chegar a Londres, a bomba teria rebentado no chão!
Exacto.

Para saber mais pormenores um submarino de reparação de cabos submarinos foi destacado para recolher destroços do fundo do mar, os mais importantes as "caixas negras". Os governos Canadadiano e Indiano pagaram 15 milhões de $ para que se recolhesse o mais possível de elemetos para desvendrar o mistério.

A "caixa negra" mostra um bang, um silvo de ar, e depois mais nada. No registo de dados, tudo OK até esse momento, e apenas o tempo de registar uma desperada tentativa de controle por parte de um piloto. Análise dos fragmentos mostrou ter-se tratado de uma explosão no compartimento de bagagens embora com difculdade em determinar ao certo como e onde se deu.

No entanto, em Tóquio, a recolha de partículas na zona de explosão revelou que a bomba estava dentro de um gravador da Sanyo, de um modelo que tinha 2000 unidades exportadas para o Canada.

Deixemos que a seringa venha ao rabo.Neste caso porque não foram buscar o dono da mala e prendê-lo? Eis o busilis. Porque ele não embarcou no voo! Nem o dono da mala do voo que explodiu. O plano terrorista era exlodir os dois aviões em terra. Dois bilhetes de executiva, foram comprado por um homem, dias antes que pagou 3000$. Um para cada voo, em nome de L. Singh (para Tóquio) e de M. Singh (voo 182 que explodiu).

O M.Singh tinah voo confirmado de Vancouver para Toronto mas estava em lista de espera para Delhi. Apenas devido a bluff deste no check-in, aceitaram a mala até ao destino final, quando normalmente só o fariam para a perna confirmada tento o pax que recolher a mala e checká-la caso conseguisse passar na lista de espera. A mala deveria ter passado no RaioX de bagagem de porão e na câmara de pressão que pertencia á EL AL. O Raio-X estava fora de serviço, tendo-se usado um sniffer manual que não detectou a bomba. A câmara de pressão tornava-se ineficaz pelo uso de bomba temporizada e não de barométrica.

As bombas estavam programadas para rebentar 25 minutos depois da hora prevsta de chegada dos aviões. Amadorismo apenas justifica pensar-se que os aviões não atrasam esse tempo.

Havia já a recomendação de retirar bagagens de pax que não comparecem ao embarque, mas não era seguida por motivos financeiros. Passou a ser obrigatória e justifica ás tremendas esperas e custos incorridos a retirar malas.

No seguimento das investigações descobriu-se terem sido sikhs a perpetrar os atentados. Ainda hoje não existe nenhuma verdade estabelecida em tribunal. Alguns dos terroristas terão porventura morrido no seu pais, em confrontos.

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