Saturday, February 04, 2006

Jacques Cousteau - Episódio Negro no Tejo

Quem não sabe quem é Jacques Cousteau?
A minha geração deliciava-se a ver os seus documentários
magníficos sobre o mar, e as aventuras a bordo do Calypso. O
Calypso era um draga-minas da Royal Navy convertido para
investigação. Após ter-se afundado em Singapura, foi colocado
em exposição em La Rochelle (porto atlântico francês onde
decorre o bombardeamento final no filme Das Boot).
Mas nem só de navios vivia a expedição. Possuiam também um
Consolidated PBY Catalina, avião anfíbio bimotor a hélice, muito popular
durante a IIª Guerra. A firma Consolidated passou a Convair depois da WWII
e é hoje parte da Lockheed.

O Catalina de Jacques Cousteau veio para reparação ás nossas
Oficinas Gerais de Material Aeronautico (OGMA), no ano de 1979.

Uns dias depois, a 28 de Junho, a aeronave é entregue
a Phillipe Cousteau (filho de Jacques) que leva os mecânicos
para festejar á noite. No dia seguinte de manhã estava
programado um pequeno voo com os responsáveis pelo trabalho,
em agradecimento pela qualidade do serviço.
O avião inicia a corrida de descolagem na superficie do Tejo
com Phillipe Cousteau aos comandos e com 10 funcionários das
OGMA como passageiros.
Começa a ganhar velocidade no agua até que de repente aparece
uma pequena embarcação de pesca pela frente. Cousteau desvia
o Catalina com um movimento brusco para evitar o perigo. O
flutuador do lado direito entra na água e começa a travar o
avião que começa a perder a direção. O hélice do motor n2
começa a ceder para fora do eixo. O copiloto, vendo o perigo
pela sua janela, tira o cinto para sair do condenado voo.
Quase a tempo. O hélice salta fora, em direção ao
cockpit ,entra pela fusealgem dentro e corta o braço do
copiloto em fuga. Phillipe não terá sido tão afortunado. Em
desespero a tentar controlar o avião aos comandos, seria
cortado pela cintura em dois.
O avião naufragou mas salvou-se toda a gente menos o filho do explorador.
A metade superior do corpo foi encontrada apenas dois dias depois no fundo do rio,
alguns quilómetros mais a jusante. Estava em já em alguma
decomposição e invadido por caranguejos de modo a que nem se
permitiu á esposa vê-lo. No dia 3 de Julho foi sepultado no
mar, perto da costa Atlântica Portuguesa.
Esta história foi-me contada por uma pessoa que trabalhava
nas OGMA aquando do episódio. Vendo-a como ma venderam sem
tentar afinar pormenores em relação á (pouca) informação que
se pode encontrar na net.

No museu do Ar junto ás OGMA está em exposição um dos motores
do Catalina.

Em Portugal existe um Catalina em bom estado de conservação.
Pertence á Aerocondor. Voou pela ultima vez há cerca de dois
anos. Eis uma foto de 2005:

4 comments:

JSilvio said...

e a catalina ainda afz voar alguem? é pode com uma??? viagem...hehe :P

Jingas said...

Desconhecia por completo que o filho de Jacques Cousteau moreeu em águas lusas.

Obrigada ;)

JCP said...

Obrigado pela precisão. Sou um pintor francês de aviões. Moro em Alcacer do Sal. Estou a pintar este Catalina Calypso e fui a buscar documentação. Hà pouco. A vossa versão (que parece-me a mais credivel) é totalmente diferente da versão da Fundação Philippe Cousteau. Mas posso perceber porque, agora...
Encontra-me no meu site
http://surlezinc.blogs.com/jcp/
e
http://zingo.typepad.com/
Vou publicar logo o quadro que estou a acabar.
Um abraço

jean-claude petit said...

Bonjour,
Merci pour votre sympathique (et émouvant) commentaire sur http://zingo.typepad.com/
Pas facile de vous joindre en direct! Obligé de créer un blog, seulement pour le contact...Perdu le mot de passe etc...
Bref, je recommence.
Vos témoignages recueillis sont bouleversants. Surtout le dernier que vous m'avez transmis.
Le tableau du Catalina N101CS est déjà peint. Je mets en ligne un article à ce sujet, sur mon blog Couleur Alentejo:
http://zingo.typepad.com/
Merci infiniment!
Votre email serait le bienvenu.
Um abraço