Bhuttos: Os Kennedys Pakis?

Prémio do País deprimente do Ano 2007:Paquistão.

O ditador militar que nem consegue controlar o Páis vê-se entre a espada e a parede, criando um massacre na Mesquita de Islamabad, depois de ter ridiculizado a já pobre democracia ao tentar depôr o Juiz do Supremo.

Entrentanto a linha nepotista Bhutto regressa de modo ingénuo para abutrizar o governo decadente. Benazir por pouco não morre ao fim de poucas horas no Paquistão. É depois proibida de deixar o País por motivos das acusações pendendtes de corrupção durante os 2 mandados incompletos na presidência que teve nos anos 90. Corroi completamente a posição de Pervez, alegadamente com o apoio US, chegando ao ponto de recusar participar nas eleições caso ele concorra. Não surpreendemente chega ao fim a provocação quando um atentado a poucos dias do fim de ano lhe tirou a vida na mesma cidade onde o pai fora executado. Entre bombas, balas e estilhaços morreu o que muita gente considerava a esperança para a paz no Paquistão.
Eu não via a coisa assim tão clara.
Estavam mais uma vez a mando de um País estrangeiro, vinham com um passado de corrupção no poder, e mesmo podendo ser uma alternativa melhor a um já perdido Gen Musharraf, a dinastia Bhutto mostra que o Paquistão é ainda uma democracia com total tendência tribalista. Agora vai um filho liderar o partido porque o sr Bhutto (marido de Benazir) é chamado o sr 10%, pela percentagem que cobrava dos concursos públicos rumo ao seu bolso. O filho aparentemente passará mais tempo na Europa que na terra Natal. Qualquer dia o cão de estimação dos Bhutto liderará o partido.

Há dias revi o JFK de Oliver Stone cuja figura central é o Procurador Público de New Orleans, o protagonista Jim Garrison. O filme faz de herói um homem que desencadeou uma caça ás bruxas do assassino de John F. Kennedy que em 22 de Novembro de 1963 eliminou o primeiro presidente católico de uns USA politicamente dominados pelos WASP.

Traçando o paralelo com os Bhutto, sem pesar validade politica de um e outro clã, temos um assassinato polémico na alta esfera politica do Páis. Nos US vivia-se a Guerra Fria com a crise Cubana dos Misseis, o tema Vietname e o Desembarque na Baía dos Porcos aceso.

Os USA, tal como Portugal fez no caso Sá Carneiro na altura das presidenciais, abafaram o assunto com uma investigação esburacada e deixou as especulações para os escritores e curiosos. Uns bodes expiatórios individuais e aparentemente não afiliados com qualquer causa politica (mesmo que depois se tenha visto que CIA, Cuba e URSS podiam estar á mistura), serviram para se evitar guerra iminente seja interna ou com os inimigos quentes do momento. LBJ tomou posse no 707 Air Force One que transportava o cadáver de JFK e os USA escalaram o conflito Vietnam seguindo uma politica externa agressiva e bélica, enquanto que em casa as vozes democráticas se iam levantado e caindo como MLKing e o irmão mais novo Bobby. Recentemente estive em LA e num tour de Hollywood passámos em frente do que tinha sido até 2006 o Hotel Ambassador onde alegadamente apenas Sirhan Sirhan (outro Lee Harvey Oswald, Mehmet Ali Agca) baleou mortalmente o candidato primário democrata. Histórias decorrem de mais uma morte mal contada e um assunto mal investigado e apressadamente abafado tal como o destroço do Cessna bimotor de Sá Carneiro e Amaro da Costa.

No caso do Paquistão poderá não ser tão simples. Musharraf apontou logo o dedo á Al Qaeda, apesar de ter estado sempre contra a organização, e de ser pouco credível que esta o ajudasse á descarada mesmo que Bhutto se avizinhasse como um veículo sponsored anti-terrorista. A AlQuaeda não reinvidicou qualquer participação e as suspeitas recaem em Pervez que promete lançar uma investigação. Entretanto as eleições foram adiadas o que ajudará a amortizar o efeito mártir que podia avantajar o partido dos Bhutto. Até á data efectiva do sufrágio, caos, atentados, regressão económica e cordelinhos embaraçados nos bastidores políticos manterão o Paquistão como um barril de pólvora.


Um País possuidor de armas nucleares, a beira de guerra civil, (mal) manipulado por potências estrangeiras, e em zona crítica da Ásia. Um País cujo apoio eleitoral principal vem de uma potência estrangeira e que traduz em intenções de "Combater o Terrorismo da AlQaeda".

Acho que nem os US sabem sequer o que isto quer dizer. Não anda longe da missão de "combater o comunismo" nos anos 70 e 80 em que se pagavam golpes de estado e financiavam milicias de contra-insurreição em paises realmente democratas gerando misérias e massacres civis para "Salvar" esses povos.

Vamos desejar um melhor 2008 para os Pakis, prevejo não obstante um ano de muitos mais, na mesma linha que os 50 que leva esta República.

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