O Professor João Coutinho

Fui contactado pelo sr. Joao Aldeia da Associação de Antigos Alunos da Escola Emídio Navarro paar escrever algumas palavras sobre o já falecido professor João Coutinho, algo que faço com todo o gosto. Ver: http://aaa.esen.pt/joao_coutinho.htm

As transmissões da NBA existiam já na época 1987/8, que me lembre. O professor e o Carlos Barroca formaram a dupla que me levou a gostar na NBA. Ver os jogos hoje em dia com o Luis Avelãs e o Carlos Barroca continua a gerar-me entusiasmo mas o professor faz falta, sem dúvida.
Tal como os grandes comentadores NBA, como o Chick Hearn e o Marv Albert, o professor tinha uma fraseologia única. Recordo-me que apelidava de "pequeno base" todos os bases mesmo o Clyde Drexler que media 2.01m. Os adjectivos eram rebuscados como "tapinha esplendorosa", e o mais frequente era o "afundanço tremendo". Um "Contra tremendo" era pronunciado com uma seriedade e admiração como se tivesse caido uma bomba atómica. Algumas expressões como podem ver no próximo vídeo eram únicas, como "saga de colheita de pontos". Podem ouvir essa expressão aqui:

Ele e o Carlos formavam uma dupla complementar, e por vezes geravam momentos de humor saudável. No concurso de afundanços de 1991, Dee Brown enchia as Reebook "The Pump" para pontuar rumo á vitória e sai-se o Carlos Barroca:
CB- "Há mais de 10 anos que não víamos um jogador dos Celtics numa competição deste tipo".
prof. JC - "Pudera o primeiro concurso foi em 84."

O seu estilo sóbrio de voz rouca, com palavras pronunciadas até ao fim devagar, mas com algum humor, era único. Creio que no fundo vibrava muito mais com o basket que poderia parecer. Era também um grande comentador do basket português, vejam aqui último triplo de Lisboa frente ao Partizan, num jogo em que marcou 45 pontos:

Pronunciava alguns nomes de jogadores de maneira sui generis, como Danny Rodman, Davy Robinson, Clyde Drexlá, Michael (poucas vezes dizia Jordan), etc. Reconheço que via os jogos tanto pelo espetáculo como pelos comentários. As alcunhas dos jogadores usava e abusava delas. O "Almirante", o "Carteiro" etc faziam sempre parte dos seus comentários.

Acho que personificava o que deve ser um comentador. Aliava o conhecimento da modalidade ao ser entertainer (pode ser que o fizesse sem intenção, mas fazia) e ao gosto pela modalidade. O comentador tem de ser um elemento do público, alguém que vibre com aquilo, que não se limite a ser um analista. E isso o professor, sempre foi.
Até a minha mãe se lembra da voz característica dele, mesmo sem gostar de basket, até se aborrecia das vezes sem conta que via re via gravações da NBA na RTP.

Os meus agradecimentos pelo que fez pelo basket em Portugal.


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