Viagem a Cuba - Parte II - Primeiro contato diurno com Havana

Saindo do hotel, deparamo-nos com um centro muito rico em história e arquitectura, e a ser bastante bem recuperado. Decidimos ir á marginal, mesmo em frente da plaza San Francisco, e ai começa a aparecer a Cuba parada no temppo há 50 anos. O terminal de cruzeiros é medonho, tipo uma lota de peixe cá em Portugal, pese a estar pintado com cores alegres e vivas, como tudo o que é pintado no País. O piso está todo estragado, tanto o passeio como a estrada, e a água totalmente coberta por óleo (e mesmo assim sinais de probido pescar). Fascinante ver chareetes nas ruas, carros americanos dos anos 50, conjuntamente com os Ladas russos, motas com sidecar, e agora os Geely chineses (parecem Skodas). Tudo a marcar uma época, ainda a coexistir ao fim de tantos anos. Os autocarros Yutong, articulados, subsituiram recentemente os “Camellos”, camiões com reboque onde metiam uns 200 ou 300 passageiros. Vimos prostitutas ao ataque num cruzamento, algumas delas com fardar de trabalho. Pedir boleia é normalíssimos, até porque carros do estado são orbigados a dá-las, e há gente na estrada a fiscalizar se cumprem ou não. Avançámos para a cidade novamente, e vimos o quão degradada está toda a cidade. Os prédios, muitos deles ainda de estilo colonial não recebem qualquer reparação há uns 50 anos pelo menos. A pintura caiu, tudo ter ar podre e abandonado, mas vivem pessoas lá. Na rua imensos telefones públicos, mas quase todos avariados.
Fomos ter á zona onde está o Capitólio, comparável ao de Washington. Ai estão os “jiniteros” a assediar o turista com 1001 esquemas tipo charutos “puros”, taxis etc. É uma boa ideia dar-lhes troco, porque são afáveis e não têm problemas e falar da sua vida em Cuba, desde que não esteja a omnipresente polícia nem PNR (guarda da revolução) a ouvir. A repressão é numerosa mas na realidade mais preocupada em receber para virar a cara para o outro lado. O rapaz chamava-se Alfredo e era músico da tecla, além de professor. Levou-nos a um dos bares parada comum do grupo Buena Vista Social Club, retratado no filem do Wim Wenders, onde havia fotos de Ibrahim Ferrer. Tirámos uma foto com chapéu, praxe, e sentámo-nos a beber um Mojito. Aí estivemos cerca de uma hora a discutir os dois páises. Mostrou-nos o seu BI (escrito á mão, nomal lá) e contou-nos que recebe em “Che”’s, o peso CUP que não tem cotação para o exterior, embora seja 24 para 1 em relaçao ao CUC. Recebia uns 200 por mês (algures pelos 10 euros), mais senhas de racionamento para 5 libras de arroz, 2 sabonetes, 3 litros de leite e mais alguns bens essenciais, mensalmente. Carne apenas com CUC, em lojas do estado. Não tinha telemóvel, espantoso dado que por exemplo na India toda a gente tem um, nem conta bancária. Ficou estupefacto com o sistema que temos na Europa, com o conceito de impostos, e com o crédito bancário. Depois começou a tentar vender charutos, que recusámos. Quando veio a conta dos Mojitos, eram 40 CUC, 8 CUC cada um dos 5, um roubo monumental. Percebemos logo que era esquema típico, e que cometemos a asneira de não perguntar o preço antes. Em qualquer caso o preço deveria andar pelos 3,5 CUC já de si muito caro, mas pelo menos o rum devia ser verdadeiro. Tinhamos 36 CUC, de modo que tivemos de ir procurar ATM com o Alfredo para ir levantar. Na rua o rapaz já não se atrevia a falar de nada de Cuba, pensámos que o bar deve pagar para a polícia nem meter lá os pés. Ao fim de muito andar encontrámos um ATM, onde um segurança só deixava entrar estrangeiros e cubanas com cartão na mão, e levantámos o dinheiro. Pese á clara aldrabice, ainda demos 15 CUC ao rapaz, que começou quase a chorar por uma ajuda para a familia. Este é o denominado “esquema do Mojito”, um dos mais comuns para levar turistas a abrir cordões á bolsa.
O talão do ATM trazia uma informação estranha. Em vez de conversão para Euros, o CUC é convertido dólar, primeiro. Ou seja apanhamos com 2 conversões em qualquer uso dos cartões, e as taxas de câmbio e impostos de selo a dobrar. E mais um roubo que é a taxa de penalização ao dólar. A triangulação de câmbio CUC-USD-EUR não é a mesma que CUC-EUR-USD, porque Cuba decidiu impor 20% de penalização á circulação do USD, mas ao mesmo tempo força o câmbio sempre pelo dolar.
Dando uma volta pela cidade, vamos vendo os inúmeros outdoors na estrada, e murais coloridos. Não se uma única publicidade a marcas estrangeiras, 90% são de motivos políticos. Ou a elogiar os “51 anos de vitórias”, “os 5 herois presos nos US”, o atentado terrorista ao DC-8 da Cubana há 34 anos, a vitória dos ideias, publicidade do Chavez e o nosso preferido contra “La Injerencia del imperio Ianqui y la Union Europea”. Deste não dispomos de foto porque apena o vimos junto ao aeroporto, mas apenas visivel no caminho para terminal nacional, muito pouco usado pelos turistas. Revela este ainda mais a hipocrisia do regime já que o país vive do turismo europeu, e a Comissão Europeia tem pago muita da restauração do centro de Havana.
O que mais nos chocou foi o comércio local. Estávamos plenamente convencidos que iriam haver lojas de produtos externos ao virar da esquina e que na realidade os embargos (tanto o americano como o do regime) estariam furados por todo o lado. Pois estávamos totalmente enganados, visto que havia dois tipos de lojas, todas elas controladas ou (detidas na sua esmagadora maioria) pelo estado.
As de CUC vendiam roupa, bicicletas, livros, sapatos e compreendiam os supermercados/mercearias. Eram horríveis, tipos das da ex-URSS, com ar sujo, expositores tipo armazém e quase despidas de produtos. Quase todas tinham segurança á porta. As roupas eram coloridas e feias quase todas de marcas estranhas, a loja de bicicletas vendia apenas partes sobresselentes. Os supermercados eram pequenos e tinham meia dúzia de produtos, novamente de marcas esquisitas e com ar á anos 70. Os produtos mais caros tinham cara de estar há anos nas prateleitas, poeirentas. Vimos leitores de DVD á venda, acima dos 120 CUC, mas DVD gravados nada, apenas sobre Cuba e nas lojas dos turistas. As lojas de carne não eram talhos.. Tinham um expositor onde apenas se via umas embalagens com fiambre e de miudezas de galinha. De longe a loja mais concorrida, e com fila a toda a hora na calle del Obispo, era a da ETACSA, a PT de lá. Os expositores, quasee vazios continham DVDs virgens (uma caixa), carregadores de telemóveis, cartões SIM, telefones fixos sem fios, e um telemóvel chinês ZTE do mais básico possível. Novamente, quase ninguém tem telemóvel, em parte pelo custo das chamadas, a 20 cêntimos de CUC pro minuto dentro do país. Os cartões custam 10 ou 20 CUC consoante o saldo que se quer. 20 CUC é o salário mensal de um médico!
As lojas para os locais, a vender em CUP são horrendas, parecem mercearias dos anos 30, degradas e também de prateleiras vazias. Umas tascas vendem umas pizzas pequenas a 12 CUP, tipicamente apenas com queijo e tomate. As farmácias não têm quase produtos nenhuns, e as lojas de senhas de racionamento nem se fala.
Há imensos velhotes na rua a vender amendoins em canudos de papel e como ardinas dos jornais do regime.
Em lado algum vimos um stand automóvel, revistas seja de que estilo for ou computadores.
Vimos algumas lojas com produtos Paul and Shark, D&G, Puma, Adidas mas com a mercadoria amarelecida. Apesar de não se verem computadores á venda, vimos sim diskettes de 3.5”.

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